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Abreu e Lima:
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DIARIO DE
PERNAMBUCO |
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Humberto França |
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Se não nos bastasse o filho mais célebre, Joaquim Nabuco, atualmente, objeto de estudos, de dezenas de artigos e centenas de referências em jornais e livros do País e do Exterior, quando do lançamento pela Fundação Joaquim Nabuco e Editora Bem-Te-vi, dos Diários de Joaquim Nabuco, hoje, em face do anúncio da construção de uma refinaria de petróleo no nosso Estado, desponta o nome do general Abreu e Lima. Exceto pela denominação de uma cidade, um quase desconhecido.
É
possível que pouquíssimos pernambucanos conheçam suas idéias, vida e luta.
Conclui-se, desse modo, que necessitamos mais do que nunca, de estudar,
divulgar, discutir o ideário e a trajetória daqueles que tanto contribuíram
para a formação do Estado e também fazem a
José Inácio de Abreu e Lima nasceu no Recife em 6 de abril de 1794. Tornar-se-ia um cosmopolita, um herói revolucionário de duas nações, um libertador das Américas. Sim, é pernambucano um dos grandes líderes das guerras de libertação do Continente Americano.
Abreu e Lima, como se tornou conhecido, era filho de um padre, João Inácio Ribeiro Abreu e Lima, o Padre Roma, herói da Revolução Pernambucana de 1817. Após a derrota dos revolucionários, esse Padre Roma seria acusado, preso e enviado para a Bahia, onde foi fuzilado, pasmem, diante do seu filho, o futuro general Abreu e Lima.
Após as perseguições sofridas por Bolívar e o conseqüente ostracismo e morte do patriota venezuelano, Abreu e Lima retornou ao Brasil, pisando no solo pátrio em 1832. Nas suas vivências no Rio de Janeiro, participou ativamente da política. Sofreu ataques do jornalista Evaristo da Veiga. No entanto, não esmorece. Pensa, age, se insurge. O povo passaria a chamá-lo de “General das Massas”.
No Recife, em 1848, por princípio, tomou parte na Revolução Praieira. Vencidos os insurretos, Abreu e Lima é mandado preso para Fernando de Noronha, onde fez surpreendentes observações ambientalistas, tornando-se um precursor da ecologia. Anistiado em 1851, em seguida, publica em 1855, um livro de título invulgar e ousado: O Socialismo, defendendo uma interpretação singular do cristianismo e se referindo ao pensamento de Cabet, Saint-Simon e Proudhon. Destemido, com idéias para além do seu tempo, o pernambucano Abreu e Lima também defendeu a liberdade religiosa, causando a ira do então bispo de Pernambuco, D. Francisco Cardoso Aires, que na ocasião do falecimento do general, recusa-lhe um sepultura cristã nos cemitérios públicos que estavam sob o domínio da Igreja Católica. Encontra repouso, no entanto, o general de Bolívar, o co-libertador das Américas, Abreu e Lima, numa sepultura simples no Cemitério dos Ingleses, que se localiza onde hoje é o bairro de Santo Amaro. As suas idéias e a sua bravura libertária encimam Pernambuco e nos nutrem para os desafios do presente e do futuro. |
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Humberto França |
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